Abraço Guarapiranga alerta para a grave situação dos mananciais e pede preservação

Em 2019, o 14ª Abraço Guarapiranga, manifestação afetiva da população paulista com as fontes de água, será realizado no domingo, dia 26 de maio, em 5 pontos ao redor da represa do Guarapiranga. Organizado e promovido por instituições ambientalistas; universidades; escolas; clubes náuticos e outras organizações da sociedade civil, o evento é uma demonstração de respeito e carinho, mas também um ato de denúncia e indignação pelo descuido com a preservação dos mananciais.

Em sua 14ª edição, o Abraço mobilizará e alertará a população; empresas privadas e todos os níveis de governo para a urgência na construção de uma nova cultura de cuidado com a água. A represa do Guarapiranga não foi escolhida por acaso, já que este é um dos principais mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, responsável pelo abastecimento de aproximadamente 5 milhões de pessoas – em média 15 mil litros de água por segundo são produzidos na estação de tratamento do Alto da Boa Vista.

O quadro do saneamento

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), indicam que o acesso à água ainda é precário no Brasil – 35 milhões de cidadãos não tem acesso ao recurso fundamental para a vida, enquanto 38,3% da água tratada é perdida em razão de falhas na rede. Quando o assunto é a coleta e tratamento de esgoto, os números são ainda mais assustadores – cerca de 100 milhões de pessoas não têm acesso a estes serviços, gerando graves problemas de saúde pública. Anualmente o Sistema Único de Saúde (SUS) atende mais de 400 mil pessoas para tratamento de doenças ligadas a condições inadequadas de saneamento, o que custa cerca de R$ 140 milhões aos cofres públicos.

A crise hídrica

Recentemente, o Estado de São Paulo viveu uma grave crise no abastecimento de água, quando as torneiras dos bairros afastados do centro secaram. Sem contar com o serviço público, muitos moradores destas regiões passaram a armazenar água, geralmente de forma inadequada, potencializando os casos de dengue, zica, chikungunya e outras doenças. Embora a crise tenha sido negada pelas autoridades, as obras anunciadas para superar a escassez reforçaram a prática comum de buscar água cada vez mais longe das cidades, encarecendo sua captação, o transporte, o tratamento e a sua distribuição. Ações concretas de redução das perdas por vazamentos ou providências de consumo consciente, despoluição, recuperação e preservação dos mananciais sequer foram debatidas. Além disso, as áreas verdes e matas ciliares são essenciais para a proteção dos reservatórios e produção de água, mas sofrem cada vez mais com a especulação imobiliária e ocupações desordenadas, enquanto o sistema ambiental de fiscalização e punição continua fragilizado. Soma-se a isso, uma nova tentativa de mercantilização do saneamento, o que, segundo os organizadores do Abraço, agravaria as disparidades na qualidade e na cobertura dos serviços, além de proporcionar um aumento significativo nas tarifas de água e esgoto em todo o país, comprometendo a meta de universalização.

Mudanças Climáticas

No Brasil, a maioria dos eventos extremos causados pelas mudanças climáticas, estão diretamente relacionados à água. Com este fenômeno, tanto as secas como as enchentes devem se tornar mais frequentes e duradouras, provocando graves prejuízos para todos. Nada justifica que diante de problemas tão grandes e graves, continuemos a tratar da água com tamanho descuido.

Basta de doenças, poluição e destruição dos mananciais! Por tudo isso, o Abraço Guarapiranga 2019 adotou o tema “Água é vida, e vida não se vende. Preservação já!”

Segurança hídrica

A partir da crise hídrica de 2014 e 2015, cerca de 60 instituições da sociedade civil organizadas na Aliança Pela Água, formularam e lançaram a campanha “Vote Pela Água” com o objetivo de inserir o tema no debate das eleições municipais de 2016. A campanha teve abrangência nacional, contemplando o engajamento de organizações sociais e o comprometimento de candidatos com uma agenda de segurança hídrica municipal, ancorada em um Projeto de Lei de iniciativa da sociedade civil. 

Em São Paulo, o trabalho resultou na elaboração do PL 575/2016, aprovado em segunda votação pela Câmara Municipal no dia 08 de maio de 2019, após um amplo processo de debate. O texto, no entanto, ainda aguarda a sanção do prefeito Bruno Covas.

Outras informações com Mauro Scarpinatti –  fone 11 996038689

Serviço programação detalhada:

(Disponível no site: www.abracoguarapiranga.org.br)