Discoteca CCSP 85 anos celebra acervo musical da instituição.

Discoteca CCSP 85 anos celebra os 85 anos de existência da Discoteca Oneyda Alvarenga, única instituição pública em seu gênero na cidade de São Paulo, cuja salvaguarda pertence ao CCSP. A comemoração da efeméride se dá a partir de extensa  pesquisa sobre este histórico acervo musical. Traz 12 residências artísticas, 14 mesas de debate e 10 back to backs, apresentadas em dezembro e janeiro. A Discoteca Oneyda Alvarenga do Centro Cultural da Cidade de São Paulo (CCSP) é a antiga Discoteca Pública Municipal, criada por Mário de Andrade em 1935. A etnóloga Oneyda Alvarenga foi quem assumiu a direção deste acervo naquele ano e organizou os acervos da Discoteca e os primeiros projetos de pesquisa do Departamento de Cultura, que viria a ser a Secretaria Municipal de Cultura. A Discoteca Oneyda Alvarenga possui ainda a coleção de discos em 78 Rpm Salatiel Coelho (1931 – ), a coleção de partituras Magdalena Lebeis (1912-1984), Martin Braunwieser (1901-1991), a coleção pessoal de Oneyda Alvarenga (1911-1984) e Hemeroteca especializada em música. Outra notável coleção que compõe o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga é a Coleção Ronoel Simões (1919-2010), atualmente em fase de organização e catalogação. Simões foi um dos principais colecionadores de materiais de violão no século 20 em nível mundial.

Discoteca CCSP 85 tem curadoria de Chico Dub, curador com foco em música de invenção e arte sonora, e co-curadoria do músico, compositor e pesquisador Tiganá Santana.

“ O principal objetivo dessa curadoria é jogar luz no inestimável acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga. O enfoque portanto é mais amplo e mais acessível do que normalmente se espera de um evento ligado a coleções e arquivos. Há ainda um recorte ligado à música negra e perspectivas decoloniais, com curadoria de Tiganá Santana, que perpassa toda a programação, investigando, principalmente, etnomusicologias e epistemologias afro-descendentes”, diz Chico Dub.

“Quero externar minha  honra por ter sido convidado para participar desta celebração e de todo este processo que reconhece a importância do acervo. Tudo o que pensei, do ponto de vista curatorial, gira em torno das estéticas epistemológicas e sonoridades afro-brasileiras”, diz Tiganá Santana.

No dia 18 de dezembro, Jonathan Ferr apresenta ao vivo sua pesquisa feita a partir da coleção de piano de Magdalena Lebeis e outras figuras, do arquivo histórico da Discoteca. No dia 19, a cantora Josyara  fará um show na icônica sala Adoniran Barbosa e traz referências da coleção de violão de Ronoel Simões. Já no dia 20 de dezembro e fechando a programação, Beat Brasilis mostra sua música improvisada e coletiva tomando a ideia do sample, nas dependências do CCSP. Em atendimento ao plano de retomada, os shows serão realizados com capacidade reduzida e seguindo todos os protocolos de segurança.

Outro mote é a pesquisa feita pela cantora e compositora Marina Lima, a partir do afeto e clássicos do cancioneiro da música popular brasileira. Já nas mesas de debate, teremos no mês de dezembro, a participação de Augusto Olivani (Salvagem), Biancamaria Binazzi (Gomalaca), Fernando Iazetta (Berro), Rafael Toledo e João Victor (Lugar alto), falando sobre o novo resgate da música brasileira. Nos backs to backs; as  duplas Clarice Falcão e Guilherme Guedes; Charles Gavin e Arthur Dapieve; Isadora Almeida e Lúcio Ribeiro, que discorrem sobre suas impressões pessoais numa versão atualizada da série “Concerto de Discos”, criada pela própria Oneyda Alvarenga, que contava histórias da música popular por meio da audição coletiva de álbuns.

Já durante o mês de janeiro, a “Discoteca CCSP 85 anos” segue com a exibição dos conteúdos gerados a partir das residências artísticas, entre elas, a artista Numa Gama, que traz pesquisa sobre sonoridades eletrônicas que revisitam ritmos originais/ancestrais e abordam o acervo de modo a misturar tempos e referências. Nas mesas de debate, Didi Couto (condução), Negro Leo, Marcus Preto e Teresa Cristina conversam sobre os legados de Zuza Homem de Mello, Aldir Blanc, Moraes Moreira e João Gilberto; a febre das lives e outros formatos musicais; dentre outros do ano..

Trazendo ao centro do debate a cultura dos povos originários, Rádio Indígena Yándê (Brisa Flow – condução), Professor Pedro Paulo Salles, Djuena Tikuna e Katu Mirim dialogam sobre o mundo sonoro de comunidades indígenas. Já nos back to back, teremos as duplas Tim Bernardes e Roberta Martinelli, Carlos Rennó e Alberto Pitta,  Sandra Coutinho (As Mercenárias) e Edgard Scandurra, entre outros.

A programação completa você acompanha no site e no Instagram do CCSP.