Distritão político vai enterrar a democracia

Novamente a Câmara dos Deputados tenta aprovar o sistema eleitoral conhecido como Distritão no âmbito da reforma política. Adotada em países como Jordânia e Afeganistão, a proposta já teve entre seus principais fiadores o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB). Há dois anos a proposta foi rejeitada. Se for aprovada, enterra de vez a democracia eleitoral no Brasil.

   Agora, a maioria dos deputados tem opinião formada sobre o assunto e a expectativa é implantar o Distritão já nas eleições de 2018. Segundo o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), as principais siglas da base aliada do governo já estão preparadas para aprovar o novo sistema.

   Sistema atual. Hoje os deputados são eleitos por um sistema proporcional, no qual são considerados primeiro os votos em cada partido, e depois os candidatos mais votados. Assim, o eleitor pode escolher o candidato e o partido de sua preferência e os seus votos serão válidos e não serão jogados no lixo. Com o Distritão quem escolhe o candidato para o eleitor votar é o partido e se você votar no tal candidato o seu voto pode ser anulado pelo sistema, não pela urna. O que vale atualmente é o chamado quociente eleitoral onde o partido precisa ter determinados votos e ganhar uma cadeira. Assim são eleitos vários candidatos de vários partidos. Com o distritâo isso vai acabar e podemos ter um único partido representando o país e os demais votos vão para o lixão.

Distritão. Pelo novo modelo que pode ser aprovado já para as eleições de 2018, além de o partido escolher em quem você deve votar, tirando o seu direito de escolha democrática, mesmo assim o seu voto pode ir direto para o lixo, pois os candidatos mais votados poderão não estar na lista do seu partido. O sistema em questão é antidemocrático e vai excluir o direito dos militantes políticos na hora de escolher o pré-candidato; o povo não terá mais opção democrática; os partidos com pouca representação política estarão fora do sistema político. E só alguns partidos políticos vão receber bilhões de reais para suas campanhas políticas e quem vai pagar são os empresários e o povo, mesmo sem o direito de escolher o seu candidato.