Doria diz que privatização garantirá F1 em Interlagos e que Ecclestone disputará leilão.

SÃO PAULO (Reuters) – O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que a privatização do autódromo de Interlagos ajudará a garantir a permanência da Fórmula 1 no Brasil e disse que o ex-chefão da categoria, o empresário Bernie Ecclestone, participará do leilão de venda do autódromo.

Em entrevista à Reuters na noite de terça, Doria disse que a área do autódromo de Interlagos, parte de um pacote de 7 bilhões de reais em privatizações e concessões que a prefeitura quer colocar em marcha já neste ano, deverá receber um hotel, prédios com apartamentos de luxo e um museu do automobilismo que deverá ser batizado com o nome do tricampeão mundial Ayrton Senna.

“A privatização do autódromo é a garantia da continuidade da Fórmula 1”, assegurou o prefeito. “Eu entendo que Fórmula 1 é importante, mas com dinheiro privado, não com dinheiro público. E é perfeitamente possível que ela continue funcionando com dinheiro privado e com um autódromo privado.”

Doria recebeu recentemente a visita de Ecclestone na sede da prefeitura na região central de São Paulo e deu ao empresário britânico detalhes do futuro leilão de venda do autódromo.

“Ele (Ecclestone) já manifestou interesse, Ele vai participar do leilão do autódromo”, disse. “Tenho o sentimento também de que fundos internacionais vão participar desse leilão.”

“Não tenho nenhuma dúvida de que nós vamos vender e vender bem o autódromo de Interlagos”, acrescentou.

Procurado pela Reuters, o empresário britânico disse que deixou em aberto no encontro com Doria a possibilidade de participar do leilão.

“Eu não disse nem ‘sim, eu vou comprar’ nem ‘não, eu não vou comprar’. Vamos esperar e ver”, afirmou.

Ecclestone, que deixou o comando da F1 em janeiro depois que o grupo Liberty Media adquiriu o negócio, afirmou ainda que aconselhou o atual comandante da categoria, Chase Carey, a comprar o autódromo de Interlagos.

“Eu disse a Chase que ele deveria comprar… eu acho que eles provavelmente irão pensar nisso”.

A prefeitura de São Paulo ainda não tem uma estimativa de quanto deve arrecadar com a venda de Interlagos, mas Doria garante que o local, que recebe o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 ininterruptamente desde 1990, seguirá abrigando uma pista de corrida e que o projeto de privatização incluirá contrapartidas para moradores que se instalaram irregularmente na região.

“Algumas comunidades que estão coladas no muro do autódromo deverão receber como contrapartida habitação popular, mas não no autódromo, em outra área”, disse.

“No autódromo nós teremos provavelmente três edifícios, um de uso misto, ou inteiramente vocacionado para hotelaria, e dois edifícios de apartamentos de luxo. Com isso você paga o investimento que essa empresa vai ter que fazer”, disse.

Doria deseja ainda que a área receba também um museu para lembrar os feitos do automobilismo brasileiro e pretende dar à instalação o nome de Senna, um dos principais ídolos do esporte brasileiro e tricampeão mundial da Fórmula 1 (1988/1990/1991), morto em um acidente durante o Grande Prêmio de San Marino em 1994.