Mananciais paulistanos em perigo

Recentemente a Folha de S.Paulo trouxe uma discussão de extrema importância e altamente preocupante: a velocidade com que perecem os mananciais de água da cidade de São Paulo, a quinta maior metrópole do mundo com nada menos que 20 milhões de habitantes, se considerada toda sua região metropolitana. Estamos matando os mananciais da nossa cidade e infelizmente descuidamos muito nos últimos quatro anos da preservação desse recurso de suma importância para a vida.

De acordo com o jornal, no período em questão ocorreram pelo menos 75 ocupações irregulares  em áreas de preservação das represas Billings e Guarapiranga, que garantem o abastecimento de água de aproximadamente seis milhões de pessoas. Esse processo intensificou-se na administração Haddad, que fez vista grossa à ocupação de áreas de mananciais por movimentos de moradia ligados ao PT e encabeçadas por lideranças comunitárias profissionais.

A desatenção foi tamanha que se deixou de realizar o sobrevoo frequente das represas a fim de monitorar o aparecimento de áreas desmatadas para a composição de lotes, medida implantadas nas gestões de José Serra (governo do Estado) e de Gilberto Kassab (prefeitura da capital). A gestão petista chegou, inclusive, a cancelar o contrato com a empresa responsável pelos monitoramentos aéreos, numa clara demonstração de irresponsabilidade. Tampouco deu-se a importância devida às operações de desfazimento de áreas ocupadas, essenciais à recomposição dos mananciais.

Evidentemente a questão tratada aqui tem relação com a demanda absurda que a cidade de São Paulo tem hoje por moradias, o que é, sobremaneira, um direito universal. É obrigação do poder público garanti-lo, assim como a preservação do meio ambiente e dos recursos hídricos. Mas há que se concretizar uma política pública efetiva que considere todas as necessidades, a exemplos do que era feito num passado recente.

Esse também é o entendimento do prefeito João Dória, que manifesta a mesma preocupação com os mananciais do extremo Sul paulistano. Há que se retomar o monitoramento aéreo e o combate às ocupações irregulares. É preciso também aprimorar os mecanismos de monitoramento ambiental da capital paulista, o que pode ser feito por meio do aparelhamento e da melhoria das condições de trabalho da Guarda Civil Metropolitana (CGM), para que atue também na fiscalização das áreas de manancial a fim de coibir as ocupações irregulares, o descarte de entulhos e de produtos químicos.

Nos últimos 40 anos, a represa Billings, ainda que extremamente poluída é responsável pelo abastecimento de pouco mais de 1,5 milhão de pessoas, perdeu mais de 20% do seu volume em decorrência do desmatamento e da ocupação irregular de áreas de mananciais. O extremo sul paulistano é ainda um dos últimos bolsões preservados de Mata Atlântica do Brasil. É imperativo que corrijamos a negligência do passado e que trabalhemos para garantir a preservação dos recursos hídricos e naturais, sem os quais não há futuro.

*Antonio Goulart é deputado federal por São Paulo (PSD-SP). Por cinco mandatos seguidos, foi vereador na capital paulista e representa politicamente a Zona Sul paulistana.