Prefeito Bruno Covas anuncia decreto que cria programa de integração dos dados sobre acidentes de trânsito

prefeito Bruno Covas anunciou nesta sexta-feira (22) o decreto que estabelece um grupo de trabalho para integração das bases de dados das secretarias municipais de Mobilidade e Transportes e da Saúde sobre acidentes com vítimas no trânsito da cidade. O comunicado será feito durante o seminário “Vida Segura em Ação! Políticas para zerar mortes no trânsito em São Paulo, na Prefeitura de São Paulo. O objetivo é ter um banco único de dados sobre as mortes em decorrência de trânsito.

Desde 1979, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registra as informações sobre acidentes de trânsito com vítimas e os com mortes na cidade. A área de Saúde, que tem o segundo maior orçamento da capital paulista – pouco mais de R$ 8 bilhões para 2018 -, dedica parte significativa de sua verba para os casos relacionados a acidentes no trânsito. Com o cruzamento dos dados, será possível estabelecer políticas públicas de melhoria na segurança viária.

“Hoje estamos reafirmando o compromisso da cidade de São Paulo em reduzir a quantidade de acidentes e mortes no trânsito tendo como parâmetro o conceito de Visão Zero que diz que nenhuma morte é aceitável. Por isso, assinamos este decreto que institucionaliza o pareamento de dados da Secretaria da Saúde com a Secretaria de Mobilidade e Transportes. Com essa ferramenta poderemos estabelecer os impactos das intervenções viárias, os custos do sistema de Saúde para ajudar a Prefeitura a planejar suas ações e trabalhar na prevenção e na conscientização sobre segurança no trânsito”, afirmou o prefeito Bruno Covas.

Essa medida conta com o apoio da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito, que desde 2015 auxilia a Prefeitura na implementação de intervenções de segurança viária.

Um dos maiores desafios à integração dos dados da Saúde e Transportes foi desenvolver um método eficaz em uma cidade como São Paulo, com população estimada em mais de 12 milhões de pessoas. “Trata-se de um trabalho minucioso, que está em desenvolvimento. As informações serão importantes para traçarmos medidas de segurança na mobilidade, com o objetivo de preservar vidas no trânsito. Essa integração de bases dará um salto de qualidade incrível, abrirá muitas portas em termos de políticas públicas e combate à violência no trânsito”, afirma o secretário de Mobilidade e Transportes, Edson Caram.

O secretário da Saúde, Edson Aparecido, avalia que “o cruzamento de dados vai possibilitar uma análise mais efetiva dos locais dos acidentes, possibilitando a estruturação de ações e intervenções que vão evitar ocorrências futuras e, por consequência, salvar muitas vidas. Além disso, vai facilitar a classificação dos óbitos causados no trânsito, dando mais agilidade ao processo.”

O método proposto pela iniciativa foi o pareamento probabilístico, que consiste em encontrar campos comuns a ambas as bases de informações. Ou seja, comparam-se os registros de cada base com aqueles ocorridos na mesma data, como pessoas de mesmo nome (ou de grafia ligeiramente diferente) e mesma data de nascimento – e óbito, quando for o caso – para que sejam registrados como parte de uma mesma ocorrência (acidente – atendimento de emergência – internação – óbito).

Projetos semelhantes a este já foram feitos em diversos países membros do Grupo Internacional de Análise de Dados em Segurança Viária(International Traffic Safety Data and Analysis Group, IRTAD), braço da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE) para segurança no trânsito.

Uma vez concluído, o pareamento de dados ajudará a dar uma melhor dimensão do impacto que os acidentes de trânsito têm para o município, assim como no aperfeiçoamento de políticas e medidas à segurança no trânsito.

*A partir dos resultados do pareamento, espera-se que seja possível:

  • Avaliar o impacto de intervenções viárias em termos de custos pecuniários para o sistema público de saúde e em termos de custo de oportunidade para as vítimas;
  • Avaliar o impacto de intervenções viárias sobre gravidade de ferimentos, com variação para os custos de saúde;
  • Permitir que se relacionem informações concernentes à gravidade do acidente a fatores de risco (uso de cinto de segurança, grau de alcoolização etc.);
  • Adicionar novas dimensões de análise aos diagnósticos realizados pela CET(por exemplo, Relatório Anual de Acidentes de Trânsito);
  • Estimar a dimensão total dos feridos e mortos no trânsito, valendo-se de uma abordagem de captura e recaptura para as observações.