Saúde municipal tem programação da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência

Nesta sexta-feira (8), a Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Magdalena, da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Sul, promoveu uma roda de conversa com jovens entre 14 e 19 anos para falar sobre prevenção à gravidez na adolescência. A atividade foi conduzida pela equipe de mediadores da Organização Não-Governamental (ONG) Plan International. Essa atividade integra as ações desenvolvidas pelo Programa Adolescente Saudável (PAS), uma iniciativa da AstraZeneca e Plan International em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

A programação acontece em diferentes regiões da capital durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, resultado da Lei 13.798/2019, sancionada pela presidência da República em janeiro deste ano prevista para a semana do dia 1º de fevereiro de cada ano. Incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), essa semana tem o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas para reduzir a incidência de gravidez na adolescência.

O conhecimento transmitido nesta programação reúne os adolescentes para falar de sexo e gravidez sem tabus, seguindo a estratégia mais assertiva para a disseminação de informação entre o público-alvo.

Programa Adolescente Saudável (PAS)

Para a mediadora do PAS, Aline Nalon Ribeiro Neves, essa é uma forma de estimular os adolescentes a buscarem conhecimento e informação sobre o tema e o que é melhor: nas unidades de saúde que os atendem. “Os adolescentes que participaram hoje dessa roda de conversa têm entre 14 a 19 anos, trajetórias e realidades diferentes. Nós partimos de um processo de perguntas norteadoras, jogando as temáticas e, a partir do que eles pensam, fazemos essa roda de conversa e debatemos informações importantes, usando dados e, principalmente, dizendo como são os cuidados no caso de uma gravidez não planejada.”

Os adolescentes são multiplicadores destas informações entre os grupos de amigos, colegas de escola, no bairro e isso auxilia na prevenção. Gabrielly Benício, de 14 anos, conta que algumas amigas da mesma idade já engravidaram. “Faço o possível para acalmá-las e sempre encontro uma forma de orientá-las a buscar um posto de saúde para contar com a ajuda de todos os profissionais”, disse.

Gabrielly diz que “procurar um profissional da saúde é importante para falar sobre sexo, porque esse assunto ainda é um tabu, infelizmente. Os nosso pais foram criados como se esse assunto fosse um segredo, algo proibido de se falar. Procurar um profissional da saúde é a melhor coisa que podemos fazer para tratar desse tema.”

Mesmo tendo a facilidade de encontrar respostas na internet, Gabrielly defende o debate presencial. “A internet é uma forma de adquirir conhecimento e informações, mas o contato com outros adolescentes em uma roda de conversa é algo muito bacana, porque conseguimos conversar olhando nos olhos. Também é possível trocar experiências, nos engajar no assunto e também para fazer perguntas. No YouTube, por exemplo, podemos fazer perguntas, porém, não é a mesma coisa.”

Informação de qualidade ajuda a evitar gravidez indesejada

Segundo a ginecologista da área técnica de Saúde da Mulher da SMS, Sonia Raquel Coelho, o município de São Paulo apoia e participa da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, promovendo ações de prevenção na rede básica. “Oferecer informação de qualidade às adolescentes e às mulheres de uma forma geral é prioridade da Secretaria Municipal de Saúde. O número de gestações indesejadas é maior entre os jovens que usam de forma inadequada os métodos contraceptivos, além disso, deve-se atentar para as repercussões como a do o pré-natal também ser realizado de forma inadequada; acrescido aos agravos como tabagismo por exemplo.”

Para a profissional, outras associações como o baixo peso ao nascer e a prematuridade são importantes repercussões para a criança. “Além disso, 50% daquelas gestações não planejadas terminam em aborto, contribuindo para um possível aumento da mortalidade materna”, comenta a ginecologista.
Gravidez na adolescência no Brasil

Aproximadamente, 18% dos brasileiros nascidos por ano, são filhos de mães adolescentes. Esse percentual representa 400 mil nascimentos. O risco de morte materna aumenta entre mulheres com menos de 15 anos em países de baixa e média renda.

Os dados são do relatório publicado em 2018 pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa). Segundo o relatório, muitas meninas e adolescentes precisam abandonar a escola devido à gravidez, o que tem um impacto de longo prazo nas oportunidades de completar sua educação e de entrar no mercado de trabalho.

Como resultado, as mães adolescentes estão expostas a situações de maior vulnerabilidade e à reprodução de padrões de pobreza e exclusão social, segundo o relatório. Neste contexto, questões sociais, econômicas, familiares, culturais e de educação precisam ser resolvidos, além da saúde tanto na prevenção quanto na gestação, parto e pós-parto.