Suprema Corte sai em defesa dos índios e evangélicos protestam

 A Suprema Corte do Brasil, atendendo pedido da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), deferiu no dia 23 de setembro, a favor dos povos indígenas, o processo de medida Cautelar ADPF 709 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 709). A APIB contou com apoio de diversos partidos e entre eles o PSB, Rede, PSOL, PT e PCdoB, bem como de diversos advogados, entidades de direitos humanos, ONGs e entre outros. Em síntese, a organização indígena invoca o sagrado direito de existir, o direito de não ser exterminado, ter o direito garantido de poder cultuar livremente a sua religião nativa e sem intromissão de terceiros impondo à eles (povos indígenas) a crença em outros Deuses e assim mudando a prática dos seus ritos sagrados e cultuados pelos povos indígenas há milênios de anos. Bem como a garantia do direito de não serem exterminados e busca medidas para evitar o genocídio e etnocídio dos povos indígenas do Brasil. Só para lembrar que os povos indígenas existem antes da vinda de Jesus Cristo na terra e sua religião, cultura e ritos já são praticados há milênios de anos antes do surgimento do cristianismo.

    No ano passado (2020), o Supremo Tribunal Federal (STF) impediu entrada de terceiros em territórios indígenas devido à COVID-19. O ministro Luiz Roberto Barroso do STF, reafirmou os termos de uma decisão tomada por ele no ano passado e ratificada pelo plenário da Corte, que já impedia a entrada de terceiros em áreas com indígenas isolados e determinava a instalação de barreiras sanitárias para evitar o ingresso de pessoas estranhas nestes locais. “Assim, apenas para que não haja dúvida sobre o alcance da cautelar já proferida e em vigor há mais de um (1) ano, explícito que ela impede o ingresso em terras de povos indígenas isolados e de recente contato de quaisquer terceiros, inclusive de membros integrantes de missões religiosas” afirmou o Juiz, ministro Luiz Roberto Barroso.

    Parlamentares ligados às igrejas evangélicas não gostaram da decisão da justiça em apoio aos povos indígenas e protestaram por meio de nota. Até mesmo pastores de diversas igrejas evangélicas criticaram a decisão do ministro da Suprema Corte e dizem que isso é perseguição. Como jornalista e defensor dos direitos dos povos indígenas e conhecedor da causa em questão e como cristão, sempre fui contra o conceito usado pelos pastores, cooperadores e anciães (do Grego Bispo), onde sempre pregavam e faziam uma lavagem cerebral nos índios dizendo que o Deus dos índios era o diabo e seus rituais não podiam continuarem, seu jeito de vestir não podia continuar, pois era pecado. Assim e por várias décadas, de norte a sul do país e em várias tribos indígenas, os pregadores evangélicos (crentes), conseguiram mudar a cultura nativa e desvirtuaram suas crenças. Graça a justiça do Brasil em reconhecer o direito absoluto dos povos indígenas e pôr um fim nas intromissões de terceiros em seus territórios. É bom lembrar que o meu e o seu direito vai até onde começa o direito dos índios e ponto final. Assim, cada um no seu quadrado, e que a paz e a tolerância incondicional reinem entre os povos, nações e tribos. A Suprema Corte age de acordo o que manda a Constituição brasileira e a defesa aos nativos veio em boa hora.